Se escrever me salva a alma, a música leva-me até ao fundo do poço. Sinto que mal posso esperar pela beleza de boneca de porcelana. Não fales, nunca. Eu prometo que também fico calado. Assim conversamos para sempre, sem nunca nos decepcionarmos com uma voz mais aguda do que o esperado, o riso que ronca, o macaco no nariz, a alga no meio dos dentes, a mente pura demais, adulta, feliz, sem dormências, nunca dececionada, oca, sem as profundezas que previ na tua beleza. Juro que sonhei contigo com uma ruga no nariz, um riso cruel, um dálmata como casaco, eternamente de pé, contra tempos e marés.
de tempos a sóis
sexta-feira, 20 de março de 2026
Amargura tonta, que sorri quando chora. O fado leva-nos a todo o lado, pára e retorna-nos sempre ao mesmo lugar. Será que temos a voz de MadreDeus dentro de nós, chamando-nos cegos, algo que nos puxa o céu debaixo dos pés, gritando que o esquecimento é uma bênção do vento, que nos liga aos momentos finos de alegria infinitos, que se desfazem num piscar de olhos. Assim.
Panteísta
Se, ao menos, tivesse forças para pôr em prática todos os meus ideais. Se, ao menos, tivesse coragem para saltar de todos os precipícios em que me encontro, tendo confiança de que O Pára-Quedas me iria amparar. Se, ao menos, continuasse a ter esperança no futuro. Se, ao menos, continuasse a acreditar no Destino. Se, ao menos, acreditasse que vale sempre a pena, quando a Alma não é pequena.
Numa coisa acredito, pelo menos: no Sentir. Que ninguém nem nada me roube isso, e, principalmente, que esse Ladrão não seja eu.
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Oxalá, Madredeus
Oxalá me passe a dor de cabeça, oxalá
Oxalá o passo não me esmoreça
Oxalá o carnaval aconteça, oxalá
Oxalá o povo nunca se esqueça
Oxalá eu não ande sem cuidado
Oxalá eu não passe um mau bocado
Oxalá eu não faça tudo a pressa
Oxalá meu futuro aconteça
Oxalá que a vida me corra bem, oxalá
Oxalá que a tua vida também
Oxalá o carnaval aconteça, oxalá
Oxalá o povo nunca se esqueça
Oxalá o tempo passe, hora a hora
Oxalá que ninguém se vá embora
Oxalá se aproxime o carnaval
Oxalá tudo corra menos mal
Oxalá eu não faça tudo a pressa
Oxalá meu futuro aconteça
Oxalá o tempo passe, hora a hora
Oxalá que ninguém se vá embora
terça-feira, 19 de agosto de 2025
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Momentos finitos que quero gravar com toda a minha força.
Faço um foto mental e sinto uma alegria imensa e ao mesmo tempo a maior agonia de todas por saber que o meu cérebro não grava nada em estado calmo. É preciso um medo inerente a algo, um bater de Corações ao ritmo do Bater, de Gritos profundos, escondido numa infância longínqua mas sempre presente para conseguir lembrar-me de coisas (não) banais.
Já passou, sinto-me dizer. A voz que me acalma é minha. Estou a criá-la para cuidar daquele puto destemido e cheio de vida daquele meu passado longínquo. Para ao mesmo conseguir cuidar deste puto destemido e cheio de vida neste Presente palpável.
É essa a única razão que hoje em dia me faz acreditar na vida depois da morte: a crença numa consciência omnipresente, que se recorda de tudo, principalmente daqueles clipes onde a vida é perfeita, onde a palavra papá se desdobra em realizações do mundo, de brincadeiras profundas e perdidas no tempo infinito que é o minuto na vida de uma criança.
Não há, pois, nada mais gratificante para mim do que aqueles breves segundos em que aquele pequeno ser me chama ao presente e me lembra da beleza do mundo - e que o passado longínquo já passou e eu sobrevivi, nós sobrevivemos, ao maior inferno de todos e agora estamos vivos, quebrando ciclos, vivendo de novo a nossa infância, pelos olhos dos nossos filhos.
Que dádiva.
quinta-feira, 24 de julho de 2025
Follow the Sun by Xavier Rudd
Follow, follow the sun
And which way the wind blows
When this day is done
Breath, breath in the air
Set your intentions
Dream with care
Tomorrow is a new day for everyone
A brand new moon, brand new sun
So follow, follow the sun
The direction of the birds
The direction of love
Breath, breath in the air
Cheerish this moment
Cheerish this breath
Tomorrow is a new day for everyone
Brand new moon, brand new sun
When you feel love coming down on you
Like a heavy wave
When you feel this crazy society
Headin' to the strand
Take a straw to the nearest waters
And remember your place
Many moons have risen and fallen long, long before youve came
So which way is the wind blowin'
And what does your heart say?
So follow, follow the sun
And which way the wind blows
When this day is done...
domingo, 20 de outubro de 2024
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
De momentos em vez vem-me este vomito.
Uns chamam-no bom, eu digo merda.
Há 30 anos era criança. Havia uma vida.
Um inferno no paraíso da minha cabeça, que esquecia tudo, que leveza.
E só agora estou a realizar que existe outra.
Destino da criança que está nesta casa. E não sou eu. É como querer matar os meus fantasmas com espadas de ferro.
Sinto-me tonto de pavor. Nunca estarei preparado - mas dou o meu melhor.
Tanta embrulhada. Não consigo sair. É como um cobertor todo enrolado, dentro de um edredão.
E eu a tentar tapar para adormecer, mas o pano interior não se desenrola. E vou adormecendo - de cansaço, exaustão, fúria, má digestão -
Ao mesmo tempo que dou pontapés na manta que me aquece, porque ao mesmo tempo, incomoda-me.
Está na hora de me levantar, sacudir o mantra e mudar de cama.
Mas o pano sou eu, e quem dorme é a manta. Não há maneira de escapar aos pontapés.
Teremos que aprender a dormir em camas de espinho, até nos tornarmos, nós, picos?
Rosas silvestres, corajosas, as quais nos ensinam cheirar sem tocar, sentir sem arrancar, plantar, sem semear.
