segunda-feira, 2 de maio de 2011

`As

Sou posto a escrever, mesmo sem querer crer. As palavras fluem, mesmo que por tempos tenha desejado não as ouvir, bater. E elas foram-se, aos poucos, foram-se. Gracas a deus. Foram-se. Mas voltam, como cobras brancas, cobicando o -que é o- meu -ser-. A minha liberdade, vontade de viver. Ser eu a decidir o que fazer, sem ter que as ler. Mas o que leio não são letras, são mensagens de capeta, deuses e chamfretas. Bem, no ultimo incluo-me eu, por vezes ajudado, a escrever estas palavras, de ateu, que tenta. Não ha de durar muito, não demorara muito a chegar. A vontade de fugir fugiu, substituida pela bizarra briza de frio lunar,. que abriu. As portas da rua estão entre-abertas, à espera de serem descobertas, pelas fechaduras de certas, esculturas encobertas.

Milhares de deuses, guiando o meu caminho. Trilhando o meu destino, vejo-me se-lhe alinho. A vontade sem lixo, com o contentor à porta, à espera de ser visto. Leva-me, de uma vez por todas, para perto de ti. Pois tudo aqui é apenas grão, sem areia nem o cerafim de adão.

Cobertas de cabecas escuras, rapada de decisões. Escuridões em forma de sombras, voando pelos leões. Gatunos auspiciosos, voadores sem ardor, levadas como pecas de fruta, semeadas sem fervor.

E se no fim, ficar apenas a palavra, sera esta e não outra flor. A palavra do senhor, sentida e sem rancor

amor.
O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

Mário Quintana
-comigo (toda) a Anatomia enlouqueceu: sou todo coração-

Maiakovski

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Um Sentido Para a Vida


Valeu-me a pena viver? Fui feliz, fui feliz no meu canto, longe da papelada ignóbil. Muitas vezes desejei, confesso-o, a agitação dos traficantes e os seus automóveis, dos políticos e a sua balbúrdia - mas logo me refugiava no meu buraco a sonhar.

A diferença é que eles levam um caixão mais rico, mas eu talvez me aproxime mais de Deus. O que invejei - o que invejo profundamente são os que podem ainda trabalhar por muitos anos; são os que começam agora uma longa obra e têm diante de si muito tempo para a concluir. 

Invejo os que se deitam cismando nos seus livros e se levantam pensando com obstinação nos seus livros. Não é o gozo que eu invejo (não dou um passo para o gozo) - é o pedreiro que passa por aqui logo de manhã com o pico às costas, assobiando baixinho, e já absorto no trabalho da pedra.  

Se vale a pena viver a vida esplêndida - esta fantasmagoria de cores, de grotesco, esta mescla de estrelas e de sonho? ... Só a luz! só a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior. Doente ou com saúde, triste ou alegre, procuro a luz com avidez. A luz é para mim a felicidade. Vivo de luz. Impregno-me, olho-a com êxtase. Valho o que ela vale. Sinto-me caído quando o dia amanhece baço e turvo. Sonho com ela e de manhã é a luz o meu primeiro pensamento. Qualquer fio me prende, qualquer reflexo me encanta.

Raul Brandão, in " Se Tivesse de Recomeçar a Vida "
Graças a este amor, sobrevivi .


(Isi)
Um dia pedi a Deus para me ajudar. a ter forças, para mudar.

Quando me senti-se afundar, mudar. Sim, mudei de vida como se nao estivesse satisfeito. Mudei de vida, como se nao estivesse a preceito. Bem, estava e nao estava. a vida sim, eu nao.

Dei um pequeno passo e mudei,. Um pequeno passo que vai durando um mes. E miles de pegadas.

Quando voltar espero conseguir escrever aqui algumas coisas. Provavelmente apenas banais, pois o que aqui vivi fez-me passar noites acordado, a chorar e a rir, a detestar e a amar, a saudar e a saudade. De mim,

Aos poucos vou-me acalmando, por ter realizado que sim, que Deus existe. Dentro de mim. Numa mensagem, sem fim

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Desaparecido


me llaman el desaparecido
que cuando llega ya se ha ido
volando vengo, volando voy
deprisa deprisa a rumbo perdido

cuando me buscan nunca estoy
cuando me encuentran yo no soy
el que esta enfrente porque ya
me fui corriendo mas alla

me dicen el desparecido
fantasma que nunca esta
me dicen el desagradecido
pero esa no es la verdad
yo llevo en el cuerpo un dolor
que no me deja respirar
llevo en el cuerpo una condena
que siempre me echa a caminar

me llaman el desaparecido
que cuando llega ya se ha ido
volando vengo, volando voy
deprise deprise a rumbo perdido

yo llevo en el cuerpo un motor
que nunca deja de rolar
yo llevo en el alma un camino
destinado a nunca llegar

me llaman el desaparecido
cuando llega ya se ha ido
volando vengo, volando voy
deprisa deprisa a rumbo perdido

perdido en el siglo...
siglo veinte...
rumbo al veinti uno