sábado, 4 de novembro de 2017

Manchmal, meistens, fühle ich mich endlos traurig, weil ich glücklich bin, wenn ich allein bin....

Gerade dann, wenn die Leute, die ich über alles liebe, gerade gegangen sind.

Da weiß ich, dass ich genauso so ein Arschloch bin. Her mit der Peitsche, ihr falschen Poeten .

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Qual misantropo

Serás tu tudo aquilo a que me propus seres.
Deixa os lençóis cobrirem-te a vida de quando em vez, para assim poderes sair das dunas a três. Divindades. Matam-nos por dentro, luzes sem azul-doirado.

Fim. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Tudo o que é corpo pouco me diz:
Quero alma
Um mapa encarnado
A vida de um olho gordo encantado.

É o estalar do verniz
Quando olho para ti e nada me diz.

Qual calma
Se me faltam linhas na palma?

Mas atenção!

Ainda sinto o mundo
Ao mesmo tempo que mas mastigas
Tiradas do abismo não fundo
As canibais formigas.


Páginas brancas sem fim
Escritas por um qualquer serafim
Tim-tim por tim-tim.
Em final de turno
Todo ele é fiel e corno
À espera do maldito abono.

Num Teatro sem lema
Somos todos cabaré.
A mim só me falta o tema
Para me fazerem rir de pé - em rodapé.

sábado, 23 de setembro de 2017

Está velho. Muito velho. A voz dele ao telefone tem um timbre parecido com aquela que me lembro, mas o tremer e a ponta aguda que ouço fazem-me olhar para dentro e ver o vazio nos olhos. Aquele vazio que me proibiu sequer pensar em casar. Que me fez, a certa altura, sentir incapaz de ter uma família, assentar, e adoptar os meus sobrinhos como filhos, como se o pacto fosse nítido para todos.

As razões são tantas, que só me comecei a lembrar da minha infância quando tinha cerca de vinte anos. Era um terror, uma guerra santa todos os dias, contraponto o anjo que era quando estava sóbrio. A minha mãe era o seu martírio, o qual lutava com todas as forças que tinha, para não nos deixar naufragar.

Lembro-me de estar no colo da minha mãe, antes de entrarmos em casa do prédio de dez andares, nós no topo. Levar por tabela é ser-se complacente com aquilo que senti quando, naquele dia, como se de um trovão se tratasse, me lembrei desse episódio. E com esse vieram tantos... tantos que nunca falei sobre eles. Era como se o um oceano tivesse caído sobre mim.
Talvez esteja na altura de procurar um profissional, como diz a minha mãe, quando me vê bloquear cada vez que O assunto é assunto.

Recordo-me nitidamente de o sentir velho, muito velho, tão velho... que finalmente teve a coragem de, pela primeira vez, nos dizer que tem saudades nossas e que gosta muito de nós. Parecem estar mesmo aí: as portas profundas do abismo apaziguador.

É isso que me traz de volta a estas páginas. Este meu diário semi-anónimo dá-me um alívio difícil de explicar.

Para completar, o meu irmão disse-me que, em conversa com ele, a explicação para uma vida em tormento foi: depois da guerra, nunca mais foi capaz de ver o bem no ser humano. Eram todos maus, até os próprios irmãos .


E isso, descontrolou-me o peito. O peso dos genes pedrefica-me.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Não ter nenhum tipo de rancor, não desejar nada de mal, aliás, sorrir por a saber feliz e tornar-se naquilo tudo que sonhamos ser, juntos, dá-me uma alegria enorme. Li em algum sítio que almas gémeas só se encontram para dizer olá.

E depois chego a casa, à nova casa, com um quintal enorme, e as frutas já lá, e os legumes na minha cabeça, depois de já lá andarmos a lavrar, e o cansaço que era diário passa a só vir de quando em vez. 

A licenciatura que vai começar, a ONG que fundamos a dar frutos, muitos frutos, uma oferta de trabalho de sonho com miúdos refugiados aceite e uns novos horizontes em túnicas de seda. 

Tudo isto e eu a pensar que não me quero casar nunca. Mas derreto quando me imagino adormecer com um rebento meu, a meu lado.

Decididamente, está na altura de sair do nevoeiro. e perseguir o fim do arco-íris. Sem mealheiro.  

sábado, 2 de setembro de 2017

Descubro que a minha vida não é viagem.
É filme de curta metragem. E a fita repete-se, e repete-se, e repete-se.

O resto são teatros na minha cabeça, vividos mais intensamente que qualquer relacionamento de uma vida: casei, tive filhos e compramos uma casa com água vista da janela.

Depois fui atropelado pela vida e pela minha própria ganância de viver, viajar, aprender, chegar.

O depósito ficou em juros negativos e os sonhos tornaram-se em dívidas. Estou a dever muito à vida, por ter vivido muito a vulso.

Será que a aprendizagem, mais um curso, me salvará?

Creio que sim, pois é tudo o que me resta do sonho despertado. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A ideia de te ter, sem poder refazer
Contar vidas, combatendo sádicas saídas.
Traduzir em reais os poucos cristais
Ínfimos crescem, sem dízimos mentem. 

sábado, 12 de agosto de 2017

Há noites em que caiu na cama e uma vastidão de palpitações me acusam de construir castelos de areia bem acima do mar. É quanto fecho os olhos e te (re)vejo.

Contínuo a ouvir o teu riso no riso das outras pessoas. Todos os gestos são teus. 

Caiu. 
Se o teu coração tivesse uma cara, qual vestia?