quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Não ter nenhum tipo de rancor, não desejar nada de mal, aliás, sorrir por a saber feliz e tornar-se naquilo tudo que sonhamos ser, juntos, dá-me uma alegria enorme. Li em algum sítio que almas gémeas só se encontram para dizer olá.

E depois chego a casa, à nova casa, com um quintal enorme, e as frutas já lá, e os legumes na minha cabeça, depois de já lá andarmos a lavrar, e o cansaço que era diário passa a só vir de quando em vez. 

A licenciatura que vai começar, a ONG que fundamos a dar frutos, muitos frutos, uma oferta de trabalho de sonho com miúdos refugiados aceite e uns novos horizontes em túnicas de seda. 

Tudo isto e eu a pensar que não me quero casar nunca. Mas derreto quando me imagino adormecer com um rebento meu, a meu lado.

Decididamente, está na altura de sair do nevoeiro. e perseguir o fim do arco-íris. Sem mealheiro.  

sábado, 2 de setembro de 2017

Descubro que a minha vida não é viagem.
É filme de curta metragem. E a fita repete-se, e repete-se, e repete-se.

O resto são teatros na minha cabeça, vividos mais intensamente que qualquer relacionamento de uma vida: casei, tive filhos e compramos uma casa com água vista da janela.

Depois fui atropelado pela vida e pela minha própria ganância de viver, viajar, aprender, chegar.

O depósito ficou em juros negativos e os sonhos tornaram-se em dívidas. Estou a dever muito à vida, por ter vivido muito a vulso.

Será que a aprendizagem, mais um curso, me salvará?

Creio que sim, pois é tudo o que me resta do sonho despertado. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A ideia de te ter, sem poder refazer
Contar vidas, combatendo sádicas saídas.
Traduzir em reais os poucos cristais
Ínfimos crescem, sem dízimos mentem.