Somos. De caminhos obstantes, de cenas cortadas e repetidas por instantes, faz-me o clarear do dia querer. Sim, é. Uma convulsão de sentimentos, pedaços, rebentos. Crente e mais que um ponto, jogo pela sensação de rodar. Preciso de abraços, beijos, lutas, mordidelas, carinhos, despejos, cortejos e linhas. Tortas. Que arrepios, do corpo à alma, por pouco arrastam-se em chama. Chamo mas não me lembro do nome, venho e volto, na esperança de um qualquer retome. Sim, é. A vida devia ter uma banda sonora, fazendo-nos cantar, sempre.
Tu és aquilo que sentes.

" Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor
Do caminho daquele menino...

Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada
E eu nunca passei...

Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou prá eu olhar
Para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada
Que nunca passou...

Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força
Estranha no ar
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz tamanha...

Eu vi muitos cabelos brancos
Na fonte do artista
O tempo não pára e no entanto
Ele nunca envelhece...

Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é o tempo, é a estrada
É o pé e é o chão...

Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada
Vontade encoberta
E a coisa mais certa
De todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada
É o sol...

Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força
Estranha no ar
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz, essa voz "

Composição: Caetano Veloso
"O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir ao que amo. Desejo partir - não para as Índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo, mas para um lugar qualquer - aldeia ou ermo - que tenham em si o não ser este lugar. Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias. Quero repousar, alheiro, do meu fingimento orgânico. Quero sentir o sono chegar como vida, e não como repouso. Uma cabana à beira mar, uma caverna, até, no socalco rugoso de uma serra, me pode dar isto. Infelizmente, só a minha vontade mo não pode dar."
...
"Que tenho eu com a vida."

Bernardo Soares, in Livro do Desassossego.

E ela vai e vem, ao sabor do vento. Vem de mansinho, apenas para não se deixar pousar e desrespirar.

Dá-me que falar, que pensar e principalmente, que sentir. E só por isso, vale a pena saber por onde venho. Sobre as montanhas da alma, cobre-nos a calma, da certeza de ser. Mesmo que não sabendo bem o quê., Somos. desdobra-me um sorriso, quando aquilo a que chamamos de fado se me ao ouvido suspira. Dizer que está presente, mesmo no exacto momento em que vemos o negro café forçar-nos dormir. Como que uma mão, ateia, agarrada ao terço.

Se será desta ou não, nem posso querer crer. O tempo passa e aproxima-se aquilo a que espero que seja o inicio do fim de uma viagem que à muito prometeu acabar, mas que sei, apenas começará quando der a volta e voltar a estar.

Aí.
Se eu posso escolher entre o correr e o parar, está visto que não posso andar. Para trás. Mas esta vontade de chorar, de alegria, de felicidade, de tristeza. De incerteza. Tenho e posso. O pó some-se por entre as covas da cara, e a metade que me espera só, reza para dentro para que a bebedeira do mundo neste dia não tenha feito das suas, de modo a que chegue bem disposto e a abrace.

Sem nada dizer, chega, olha-a e vai-se.

O mundo está gasto demais para se poder sentir sem se sorrir. A escolha paira em si, mas torna-se difícil e o que hoje é, amanha torna a forma da maré. Vazia.

A mensagem que transporta nas suas veias está muito para além daquilo que pode ou consegue compreender. Será que algum dia perceberá o significado de uma vida sem sentido, se não se deixar partir. Sem tentar vem a decadência. Paciência, ao menos ainda não deixou . de sentir.

Do que tem mais medo é de querer sentir tudo, a todo o momento, na palma da mão. Qual perfume feito de odor humano, ou espelho de Gray. Para afastar o Negro cão que desafia a lei.

É o medo que o impede de sentir tudo, e ainda bem. Espera conseguir manter a felicidade que o invade cada vez que lê um romance,

-Epá tens que deixar de ler isso

e acena. Porque acha que é verdade.

Mas de densidade em densidade são as folhas levianas da superficialidade de sentimentos profundos que o fazem continuar a acreditar. Agradece por encontrar quando o momento chega, para o ajudar a esperançar.

Duas salas e eu no corredor, com a certeza que quero ir para aquela onde o vazio é cheio de sentimentos que me preenchem. Viagem ao centro da terra, sem bilhete, vou à boleia. A sala contrária está cheia de barulho, risos confundidos com choros. Brigas com abraços, beijos e mordidelas, branco nas paredes e cores nas gentes. Quero um pouco disso também. E, apesar de não ter as chaves, ando ás rodas, para a frente e para trás, até a encontrar. Pode ser que venha aqui ter.

Ainda assim, acho que ainda acredito

em milagres .
e fossemos todos perfeitos, será que procuraríamos a imperfeição?

São trampolim de desilusões, cambalhotas de sensações, mais ou menos levadas ao extremo dos mexilhões. Agarra-te bem -ao chão-, que eles são bem mais que trapalhões. Mexem, mexem e mexem, até encontrarem algo com o que brincar.

Será pecado chorar? Se for, peço por uma desculpa urgente para me benzer. Mesmo sem acreditar.

Tenho a lupa no céu, em forma de conselheiro. Um pirilampo ao ouvido transformado em luz de fundo. Que formigueiro. Pouco mais temos a oferecer que o resto de nós, e ele constrói-se a sós. Não precisa de voz ou dedos d'avós.. Na verdade, não precisa de nada. Faz-se de pós. Sem antes.

Visto que o dado foi lançado, meio-jogo meio-granada, mergulho no destino do fado. Guarda-me por mim, este sentimento -por ti-, pois vejo-te afastar com a mão esticada, a esperar esperar.

-Ajudas-me a respirar?-

Pergunto-te

Ajuntando a tua boca à minha, na esperança que a respiração neste mar de gente inlouca me deixe
-sem ar-.

Toca-me. Toca-me de mansinho, faz-me acordar. Se tudo isto for um sonho, deixa-me continuar a palpitar. Que este coração qualquer dia apercebe-se e mete-se praí a voar.

Deixa-te encontrar, eu prometo que fujo apenas para não te assustar. Mais do que aquilo que já estava, procuro justiça no meio disto tudo, e sem querer comprometo-me a ficar. E fujo, para não te assustar. Ficava aqui, ali, aí contigo. Bastava apenas um tom, mas o volume estava no mínimo e as palavras saíram sem som. Aqui estou, a tentar aprender mímica. Não percebo nada, fico, num olhar vazio, a brilhar. Um dia deste aprendo-me, agarro-te, e nunca mais te deixo cair. Prometo.

Até
"If You're Out There"
Em momentos tensos
Lembro-me de futuros imensos
Sentimentos mostrando lenços
Brancos -Voz do povo-

Procurando aceitação
Na verdade precisamos apenas duma canção
Algo que nos mostre a direcção
De um -começar de novo-

Parte a vez do comboio das cinco
E correndo vamos nós
Na esperança de uma terra nova
Uma vida sem tentação nem cova

Apenas luz sem túnel e afinco
Um sentimento de esperança após
.
Nunca fui, mas agora sou: Um saudosista. Por vocês. E por mais, os quais na verdade não podemos citar, por medo de nunca na verdade se conseguir alcançar. E no entanto sei, que me consegues escutar, mesmo quando as minhas palavras não são já as mesmas de antigamente . Por aí, fico na esperança que consigas ouvir quando falo sem expirar.

Luta. Esta batalha diária de agradecer por tudo aquilo que tenho e a falta; de algo que tive e me faz tanta falta. O carinho, aquele carinho é na verdade, o que me faz mais falta. Apesar de aqui ter o dela, da família, como que o reacender de uma vela. Mas esta cera já está tão desperta, que o coração se me aperta, cada vez que vejo o tal filme ou oiço a tal música, numa rua deserta. As minhas sobrinhas, uma em África, outra em Lisboa. O meu sobrinho, cheio de força e a certeza que voa. As lágrimas ao deitar, porque por mais que me sinta feliz de dia, é à noite que me deixo aguarelar.

As noites sem fim, passadas na rua, no café ou no jardim. Perto de vocês, perto de mim. Conheci-vos agora mesmo e no entanto já passaram três anos. Para mim, três décadas, em que o mundo pára e o tempo acelera. sentados na estrada, de uma rua qualquer. As tais escadas, que se tornaram o refúgio ao anoitecer. As mil e uma esplanadas, que na verdade foram só meia dúzia, misturando as conversas da treta com assuntos de etiqueta.

As minhas manas, perfeitas como são. Por mais erros que façam, têm um amor que transcendem qualquer coisa que se faça,. para os seus - sem um senão-.

Espero todos os dias por um milagre, e riu-me . Sozinho. Aqui é primavera e hoje passei a manha na sala a olhar para a janela. Neva. Flocos pálidos, com medo de cair, tão quente que está o chão, das caminhadas em tom ameaçador e ladrão. Ri-se, o tema era uns daqueles testes psicológicos. Em que se explica aquilo que somos. Ela ciumenta de morrer, não dá espaço para um passeio a sós, nem sequer a casa dos avós. Eu, afasto as pessoas com medo de ser magoado, qual egoísmo desmesurado. E ri-se. Parece que se identifica, diz que os opostos se atraem de certeza. Não sei bem porque mas prefere falar inglês, vai na volta os outros não falam e assim a conversa fica só entre nós . e apesar de outros comentarem a sua beleza, olho para ela e imagino - a incerteza de ser levada a pensar por si, um discussão de vez em quando e a certeza que não, até porque ela acredita nestes testes e segundo eles, prefere calar a dizer o que pensa: Não vá eu acha-la feia por pensar. Eu, espero que o tempo passe, a neve a encaracolar.

What? - I said you are always away and yet... Anyway, do you wanna hang out after the class? - Sorry, I can't.

Por algum motivo, cada dia mais penso: quanto mais difícil for um homem achar uma mulher bonita, apenas por ela o ser, mais essa mulher bonita se torna. A insegurança vai-se, e a certeza que a beleza interior é muito mais importante torna-se o caminho de uma viagem distante. Á espera de um bilhete de papel cortante. Mas a recompensa, a alegria de ver o mundo sem olhos dados.

De rompante .