quarta-feira, 23 de julho de 2008

Mundo meu. Espelho meu.


A minha cidade.


Na minha cidade existe de tudo. 


Rapazes na rua a pedir escudo, para comer, sem vontade de aprender. 


Gente grande e muda que deixa tudo na mesma. Não vá o diabo tece - las. 


Gente que se veste de escuro para mascarar a falta de cor interior. 


Gente que quer ser grande e usa roupa maior que a sua estatura. 


Raparigas que se despem quando ainda não têm idade para se deitarem sozinhas. 


Gentes que se se preocupam mas não têm tempo para agir. 


Gente que age mas não tem tempo para se preocupar. 


Gentes que moldam o mundo, mas não têm coragem para agir sob pena de a gente se rir. 


Há ainda gente que não é ninguém, que sofre tanto com o seu mundo que se esquece de ter alguém a quem chamar. Meu bem... 


Gentes que mudam o mundo para assim o deixar igual, porque só mudamos aquilo que é nosso. O nosso quintal. 


Gentes que têm o mundo nas mãos e decidem dá - lo ao Senhor do testamento, porque na verdade estão atrás da Sua 

incógnita herança. Vidas ao vento.  


E de repente, no último dos dez minutos terrestres, parece que ficamos todos sem tempo. 


E no entanto, nunca houveram tantos génios a despontarem pelos cantos. Ratos. Fartos. 


Um dia haverá uma revolução, igual a tantas outras desta nação. Sem razão. 


Porque a geração passa e fica apenas o sem significado de uma acção, e a partir dai volta - se tudo e tomam conta de nós A trinca de Adão. 


Por fim, há pessoas com um significado especial, guardados no seu espaço sideral. Sem igual. 


Há pessoas que existem simplesmente para nos fazerem sentir especiais. 


Essas pessoas, os essenciais, vão e vêm em cada mil anos, e um segundo na sua companhia vale cada um deles passados à sua espera. 


Por isso, para quê desanimar, se o que tenho guardado tem a certeza que a vou encontrar. A minha especial. Especiais. 


Sem que os demais se sintam inferiorizados, porque quando o sol brilha é mesmo para todos. 


E a sua luz fica, mesmo quando se faz noite. 


E desponta em nós algo de tão inexplicável que é impossível absorver tudo enquanto estamos cientes. E depois sonhamos. E aí sim, acreditamos. Estamos vivos.

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