Se escrever me salva a alma, a música leva-me até ao fundo do poço. Sinto que mal posso esperar pela beleza de boneca de porcelana. Não fales, nunca. Eu prometo que também fico calado. Assim conversamos para sempre, sem nunca nos decepcionarmos com uma voz mais aguda do que o esperado, o riso que ronca, o macaco no nariz, a alga no meio dos dentes, a mente pura demais, adulta, feliz, sem dormências, nunca dececionada, oca, sem as profundezas que previ na tua beleza. Juro que sonhei contigo com uma ruga no nariz, um riso cruel, um dálmata como casaco, eternamente de pé, contra tempos e marés.
sexta-feira, 20 de março de 2026
Amargura tonta, que sorri quando chora. O fado leva-nos a todo o lado, pára e retorna-nos sempre ao mesmo lugar. Será que temos a voz de MadreDeus dentro de nós, chamando-nos cegos, algo que nos puxa o céu debaixo dos pés, gritando que o esquecimento é uma bênção do vento, que nos liga aos momentos finos de alegria infinitos, que se desfazem num piscar de olhos. Assim.
Panteísta
Se, ao menos, tivesse forças para pôr em prática todos os meus ideais. Se, ao menos, tivesse coragem para saltar de todos os precipícios em que me encontro, tendo confiança de que O Pára-Quedas me iria amparar. Se, ao menos, continuasse a ter esperança no futuro. Se, ao menos, continuasse a acreditar no Destino. Se, ao menos, acreditasse que vale sempre a pena, quando a Alma não é pequena.
Numa coisa acredito, pelo menos: no Sentir. Que ninguém nem nada me roube isso, e, principalmente, que esse Ladrão não seja eu.