segunda-feira, 21 de março de 2022

Sol

Em plena luz do dia: uma tortura, um repensar, um ódio ao ódio, algo que me faz recriar fantasmas, entes-não queridos, os quais afogo uma e outra vez, sem nunca parecerem morrer. Ou melhor, renascem sempre que dou um banho no lago escuro que me chama como amigo de longa data.

Instantaneamente, a luz do dia compromete a minha sanidade, pois traz ao de cima monstros da noite, Escuro, Abismo, Vertigem sem fim. Serei eu algum dia capaz de caminhar sem olhar para trás.

Há amores que nunca acabarão e arrependimentos que duram para sempre. Mas, ocasionalmente, a paz: é por isto que me afogo em trabalho? Para torvar lembranças de um futuro que um dia construí e vivi, muito antes de aceitar as minhas autoimpostas barreiras metafísicas?

Por vezes sinto a cabeça tremer, em pleno dia, uma sacudir interno, como uma reprogramação, um abanar celestial, eu que durante décadas me refugiei em Deus e o mesmo número de anos o refutei. Agora, vivo no limbo.

Mas há fantasmas, amigos, que me amam e odeiam ao mesmo tempo, e isso faz-me sentir vivo. Tão vivo.  Fantasmas em pessoas com uma ligação que só pode ser transportada pelo vento à velocidade da luz.

e eu voltei a rezar pela paz de espírito de todos aqueles que me odeiam, principalmente aqueles que me odeiam porque me amam. Tanto à imagem de mim próprio. Egocentrismo no seu estado mais puro. Tanto que o Altruísmo fica invejoso. Haverá, de fato, amor incondicional, pergunto-me, sem que esse amor signifique amar por querer ser amado.

Enquanto escrevo estas palavras, volto a acreditar no amor, pois realizo que existem muitos mais a quem amo de que a mim próprio. Mas já não me condeno diariamente, pois aceitei a minha condição humana. Mesmo estando condenado a ser muito mais do que a maioria.

Parece estranho, mas lá está: egocentrismo. Vertigo.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Um

Eu corro apenas para descobrir que não posso fugir - de mim. É óbvio. Mas ao som de Cohen sinto o verde dos cactos soltarem espinhos quentes, marés cinzentas que trazem raios laranjas que sabem a cevada.

Não há nada como uma guitarra, uma melodia que nos diz que a viagem não faz sentido, mas que o som vale a pena a leitura.

Este cavalo selvagem, bravo, com coração de coiote, teima em não ser escrito. 

Esta vida, que não empurra para um canto escuro, tão falado e temido, sussurra: eu nunca disse que ia ser montada.

Não há nada de real, apenas barulho, que traduzimos em símbolos.

Eu estou, claramente, à procura da minha sombra. O que sair do outro lado será o que tiver que ser, mas serei - eu.

Só, viajei para estar só. Algures no Pacífico estou só, mas não solitário. Felicidade, liberdade - pela primeira vez na vida, sinto que posso ser eu sem um objetivo, sem querer impressionar-me a mim mesmo. Quero-te impressionar, sim, génio da lâmpada, pois houve uma altura em que acreditava em ti e tudo fazia sentido. Agora sou um barco, cansado de navegar mas feito de madeira rija, que nunca irá afundar. Encontrei uma luzinha no fim do meu túnel, a qual me ordena: segue as ondas.

Finalmente só. Não há nada melhor que este sentimento. Será estar com Deus isto, estar só mas não solitário, desamparado?

1.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Estou além - António Variações

 Estou além

Prisão no céu


É uma compulsão, sem foz na comida, é uma barriga vazia gritando para o intestino cheio, de contornos, de neuronitis, os neurónios do inconsciente, num rei com bulimia, é um impulso baseado num diagnóstico de sua autópsia: Neurosen.
Estudei sem querer e sem poder regi, enquanto o olho lá em cima, parte de mim sem sangue nem carne, se ri, de tudo o que faço fica um pedaço, um bafo a bagaço, uma rima de timbre rasco, um baixo sem (re)percurssāo.

Chapelle, um dos anticristos dos dias de hoje; Jordan Peterson, Nazi; Ice Cube, republicano; Nietzsche hat Gott getötet. Obama couldn't. Buddhas, the status, themselves the archytepal idea of humbleness, painted in gold, made from gold, wanting gold.

Psicoses só costuma ter quando sonha e acorda sem saber: aconteceu? Sinal divino, uma Monad, o Lotus, irmãos a tentarem matá-lo, e o pior, com razão: e por fim a certeza de estar amaldiçoado a cada ação, das dritte Newtonsche Gesetz. Immer, wenn die Nacht kommt, o desassossego. Tagsüber, singt Sempre Ausente, demente, sem mente, mente, e diz que nada sente.

Wenn Du mich anschaust, ist es oft unheimlich, weil Du nicht durch mich siehst sondern in mir immer mehr hineininterpretierst als ich dir geben kann - aber geben möchte. Und somit, auch würde.
Es gibt nichts mehr, naja, vielleicht gibt es etwas, ich hoffe, ich hoffe es so sehr, chorei compulsivamente com medo, mas uma mão, uma palavra da mãe de todas as mães, a minha, und dann die Ruhe, die Hoffnung, die Freude, die Liebe - aber gleichzeitig immer da - Angst.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

You Say


"I keep fighting voices in my mind that say I'm not enough

Every single lie that tells me I will never measure up

Am I more than just the sum of every high and every low?

Remind me once again just who I am because I need to know


Ooh oh


You say I am loved when I can't feel a thing

You say I am strong when I think I am weak

And You say I am held when I am falling short

And when I don't belong, oh You say I am Yours

And I believe, (I) oh I believe (I)

What You say of me (I)

I believe


The only thing that matters now is everything You think of me

In You I find my worth, in You I find my identity


Ooh oh


You say I am loved when I can't feel a thing

You say I am strong when I think I am weak

And You say I am held when I am falling short

When I don't belong, oh You say I am Yours

And I believe, (I) oh I believe (I)

What You say of me (I)

Oh, I believe


Taking all I have and now I'm laying it at your feet

You have every failure God, You have every victory


Ooh oh


You say I am loved when I can't feel a thing

You say I am strong when I think I am weak

You say I am held when I am falling short

When I don't belong, oh You say I am Yours

And I believe, (I) oh I believe (I)

What You say of me (I)

I believe


Oh I believe, oh

Yes I believe, oh

What You say of me

Oh I believe"


Lauren Daigl

domingo, 6 de junho de 2021

The Last Man on the Earth

 

Who are you to ask for anything more?
Do you wait for your dancing lessons to be sent from God?
You'd like his light to shine on you
 
You've really missed a trick when it comes to love
Always seeking what you don't have like what you do ain't enough
You'd like a light to shine on you
 
And every book you take
And you dust off from the shelf
Has lines between lines between lines
That you read about yourself
But does a light shine on you?
 
And when your friends are talking
You hardly hear a word
You were the first person here
And the last man on the Earth
But does a light shine on you?
 
Who are you to ask for anything else?
The thing you should be asking is for help
 
You'd like a light to shine on you
Let it shine on you
Let it shine on you
 
A penny for your truth
Will I'll hedge my bets on love?
'Cause it's lies after lies after lies
But do you even fool yourself?
And then a light shines on you
 
And when your friends are talking
You hardly hear a word
You were the first person here
And the last man on the Earth
But the light

Quelle: LyricFind
Songwriter: Ellie Rowsell / Joff Oddie / Theo Ellis / Joel Amey
Songtext von The Last Man on Earth © Kobalt Music Publishing Ltd.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

"Antigamente enfrentar medo era fugir de bala, hoje em dia enfrentar medo é andar de avião, antigamente eu só queria derrubar o sistema, hoje o sistema me paga pra cantar irmão, eu sou daqueles que dá o papo reto e vive torto, assim é fácil né? Igual um médico fumante ou tipo querer descansar e continuar de pé" (Djonga – Junho de 1994)

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Estou a começar a deixar de sentir este peso sobre mim.


E por vezes sinto uma tristeza mundana que me envaidece.

sábado, 3 de abril de 2021

Ócio

Que bom que é aprender sem medo de enlouquecer. Manuel Cuenca Cabeza e Jaume Trilla, por mão da Universidade Aberta e de uma professora espetacular, ensinaram-me o que é, realmente, o Ócio. Creio que, depois de algum tempo refletindo e pondo em prática os seus ensinamentos, posso afirmar que este conceito pode muito bem ter-me salvado a vida.

Algo tão óbvio, com vários livros e artigos que, em detalhe, me ensinam o que é viver ativamente de forma cada vez menos prescrita e, precisamente, não-passiva.

Aprender a aprender tem sido, desde a três anos, o meu principal ócio. Agora basta continuar a fazê-lo de forma consciente.

"Vou sempre a jogo quando me convidas
E apenas sei que perco sempre a mão
Há no baralho amor e solidão
E atraiçoa-me o tempo às escondidas

As coisas sendo assim são o que são
Com gaivotas de sombra repetidas
E as cartas já todas distribuídas
Eu apostei a alma e o coração

As ilusões passaram das medidas
E em noites tresloucadas de paixão
Trazes um cheiro a fado e a perdição
E dás cabo de mim e não duvidas

Nessas linhas que tens na tua mão
Há estrelas cadentes esquecidas
E é na sina febril das nossas vidas
Que eu vou morrer da tua ingratidão"

Morrer De Ingratidão
Carlos do Carmo, Maria João Pires

Compositores: António Vitorino De Almeida