segunda-feira, 14 de julho de 2008

Conquistas


Não há critérios nos mistérios


Esqueço me da vida, quando chega a despedida

É chegado o momento da partida sem tempo

Aquele segundo em que o simples pensamento

Se torna mais forte que o julgamento da corte


A partir daí, e porque sim, canso me de ser julgado 

Vivo cada dia de encontro àquilo que acredito

Sem dizer que não aceito o que me é dito

Prefiro manter me com o já conquistado


As derrotas fazem parte do sabor da vitória

Mas por vezes custa tanto lutar por um dia de luar

Que ao deixar de sonhar sei que me vou cansar de olhar

E começo a procurar uma nova maneira de ler a minha estória


Volto a adormecer e sem mais nada querer

Abstenho me de tudo para não me perder

Aquilo que tenho como certo no meu peito

Em nada me tira a alegria do meu ser incerto



E no entanto, existem opostos para todas as nossos (des)gostos.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Pegadas


E de repente, tudo o que tinha como certo limitou se a mudar de rumo. 

E eu escureci.


Tanto que quando tudo é guardado para aquele momento, 

os momentos são apenas entretantos. 


As certezas foram se e sobraram as enseadas. 

Será portanto o crepúsculo o que me poderá esclarecer deste anoitecer que se abateu como nunca antes teve coragem de o fazer. E é meu.

Sabia que o era, mas de repente deixou me e seguiu caminho, deu me boleia e agora largou me à berma da estrada gritando me para ir a pé até ao próximo motel.


Agora, vou descansar e sonhar. Desta vez bem acordado e com as letras na mão, para que as contas não saiam defraudadas de antemão. Por fim, envés de viver de fora para dentro, terei de caminhar do penhasco para o centro. Afinal de contas, terei de me deitar de peito para depois poder levantar me e olhar.


Sem crer, projectei de mim tão longe, para chegar ao principio da minha própria canção, que terei de reinventar a sinfonia sem harmonia.


E o espectáculo tem de continuar porque no fim ninguém me irá completar, se eu parar.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sonhos Esquecidos


São momentos de uma noite sem luar

que me trazem à memória a falta de ar

Aqueles momentos que preferimos calar

Sem mais queremos, decidimos tentar.


São segundos de exaltação e ira

Pensamentos disparados sem mira

Com apenas uma intenção na gíria

Provocar as palavras pela mentira.


Sem um propósito penso numa distracção

Que me leve para longe desta inútil discussão

Mas tu trazes contigo a vontade de ouvir não

E eu digo o contrário daquilo que te dá tesão.


Os argumentos deixam de fazer sentido

Olhas para nós como um vidro partido

Somos tudo menos aquilo que tenho lido

Nos teus olhos e consciência de anjo dorido.


Faltam poucos momentos para o fim

O palavreado esgotou se, salvou se o sim

Mas eu espero que não o digas assim

Espera pelo anoitecer e volta para mim.

domingo, 6 de julho de 2008

Ponteiro


Terá O destino algo de intransponível pressuposto, ou apenas a função de ser possível, se fizermos por isso?



Sinto o tremer cada vez que a pressinto chegar, 

a oiço falar ou a penso tocar. 

Não é nada que ainda não tenha feito sem pensar, 

mas cada pensamento é singular. Singular, 

porque me faz sonhar e porque me faz caminhar... 

Por isso caminho, sem saber bem para onde me dirijo 

Caminho.


Toda a gente sabe o seu destino. 

Alguns temem ser seu dono, 

outros escondem-se dele no sono. 

Outros porém rejeitam-no por não o acharem digno do desatino.

O próprio destino, 

mais poderoso do que qualquer outro pensamento ou acção segundo Platão, 

torna-se indigno de alguém de coração. 

Por isso lutam e fraquejam, 

lutam e vencem, 

mas nunca se sentem satisfeitos com o que são. 


Somos nós, gente!, 

que traçamos o nosso destino. 

Mas o Caminho, 

esse à muito que está construído,

como um ninho, á espera de ser utilizado, 

chocado e depois destruído. 


Alguns são contra o destino por lhes tirar o poder de decisão.


Se eu pudesse fazer tudo o que quero, 

não haveria pessoas especiais, 

dotadas e simplesmente indicadas, para certas tarefas. 

Prendadas. 

Mas cada um tem a sua tarefa, 

em função do ar que entra e sai do seu próprio pulmão.

 

Podemos entender o que quisermos de destino, 

seja religioso, ateu ou ou apenas humano. 

Mas se cada um de nós tem algo a oferecer, 

não será essa mesma a sua função:  

tornar o mundo menos mundano.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Minha Arte de Viver


Não sou mais que um iliterato que aprendera a ler, não sou mais que um felizardo que teve a possibilidade de me conhecer. 


Sou por isso apenas mais um apavorado, sem medo de viver, tendo me perdido sem correr.


A minha arte de viver tem tudo haver com aquilo que penso ter mas, como a razão, não consigo ver. 

Viver sem estilo, tranquilo, tornando me pupilo do meu mundo na forma de uma verossímil Utopia, num cubículo.


Ter prazer sem querer e assim me perder, sem nunca desejar acordar nem adormecer. 


Por isso aceito palavras d'outras gentes, ao ouvir penso e repenso, mas já não desalento quando não as imito e por isso emito um som abafado e quente. 

Um grito tão surdo e simples quanto inconsequente.



-Por mais que tente o que faço já não condiz com o pensamento da incoerente meretriz ou com o gesto do meritíssimo juiz.-


-O juiz é a gente que faz a roda e a meretriz é o que gira á sua volta, a moda.-


-O justo juiz que no  fim não sabe o que fez e me faz pensar "porque aceitei o que nunca quis"; a subtil meretriz que tenta ser original, acabando por imitar os feitos passados, parecendo sem astral.-


'...Muito mais do que penso e muito menos do que aquilo que gostaria de ser...'


segunda-feira, 30 de junho de 2008


Alguém que me olha e se ri.
Alguém que me diz olá e se ri.
Alguém que me trata por você e se ri.
Alguém que me completa e por isso e se ri.
Alguém que me odeia por ser quem sou e se ri.

Alguém que me torna melhor por existir e se ri.
Alguém que me faz corar sem a ver e se ri.
Alguém que me escreve e que se ri.
Alguém que me sinta e se ri.
Alguém que me cale e se ri

Alguém que não se canse de rir, e chore.

Ninguém diz mas eu sei.
Ninguém sabe mas eu sei.
Ninguém canta mas eu ouvi.
Ninguém conta mas eu ouvi.
Ninguém quer mas eu dei.
Ninguém pede mas eu dei.
Ninguém gracejou mas eu ri.
Ninguém aplaudiu mas eu ri.

Ninguém me desafiou mas eu venci-te.


Quanto mais penso mais quero.
Ninguém é de ninguém mas eu Sou.

domingo, 22 de junho de 2008

A Letra


Quando o dia se torna noite e a cor é bem vinda.

Porque ás vezes vale a pena explodir para no dia seguinte reconstruir. 


Procuro em mim todos os dias uma parte que me completa. 

Mas assim que vejo algo que a atenção me desperta, 

existe sempre algo que me aponta e aperta 

para uma nova realidade sem fim, 

uma realidade 

que é feita de humildade

transformada em fatalidade 

escrita, tim-tim por tim-tim. 


Há algo de errante naquilo que nos trás ao mundo, 

algo que nos condena por termos nascido e trazido

algo de profundo imundo, ao mundo. 


O Homem. 


Temas que nos causam aflição 

como a poluição, globalização, 

cinismo, capitalismo, 

emulação e corrupção. 

Temas que levantam questões

que nos levariam todos os tostões. 

Temas questionáveis

transformados em monstros afáveis,

são muito poucos os que não fazem 

ou que eventualmente não farão uso deles, 

afastando no entanto quaisquer responsabilidades 

nas suas imaculadas  e coloridas peles.

Quando condenamos afastamos

qualquer culpa associada e errante.

É como arrancar um dente

a uma  criança inocente.

Primeiro fazemos

Depois arrepende mo nos

Devido ao olhar que nos lança.


A nossa Herança.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Alma Gémea


Cada vez que te vejo, abro me por dentro e enclausuro me por fora.

Amaldiçoou te porque tu não existes.


Solto um sorriso no interior aprisionado, só de pensar que podes ser tu o centro do meu mundo, o meu equador.


Mas depois recordo me da dor, vem o rancor, peço espaço sem falar e tu afastaste sem questionar, tirando me ao mundo a cor e o seu pêndulo mediador.

 

Sem saber, preciso que fiques comigo quando não estamos juntos para entender o que quero dizer. Será que não entendes que não suporto ter te longe.


Ao menos que vivas carente dentro do meu inconsciente.

Encontrei te e perdi te, voltei a encontrar te e voltei a perder te.


És dona de tantas caras, rainha de tantos nomes, que mais posso pedir se te vejo em todo o lado sem nunca te conseguir tocar. Nunca mais te encontro. Será que quero encontrar se o mais provável é ter a perder te de vez.


Agora quero parar de procurar, alias, quero nunca mais te encontrar. 

Assim serei feliz com aquela que me queira tentar, sem nunca chegar aos teus calcanhares por nunca pecar.

Mesmo jurando, sei que me irás conseguir encontrar. 


Mas preciso acreditar que não mais me vais tomar para poder voltar a sonhar, assim adormecer e a luz apagar.


Renasço, vivo, e aprendo. Por esta ordem, desta vez sem te ver. Até voltar a morrer por te ver.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Quero Ficar Onde Vou



À medida que o tempo passa cresce algo dentro de mim.
Torna-se cada vez mais difícil escrever porque cada vez mais, esqueço me de aPrender.

Aprender com o mundo, aPrender com o tempo, aPrender com o sono, aPrender com os meus amigos, até de aPrender no escuro mas, principalmente, tenho me esquecido de aPrender comigo.

Quero viajar e quero ficar, quero tentar mas nao quero perder. Nao algo material, porque isso só me faz falta quando sou banal. Sei que vou, só nao sei bem onde estou.

Tenho medo de me perder no tempo. O tempo para viver, o tempo para amar, o tempo parA beijar mas, acima de tudo, tenho medo de perder o tempo para  me apaixonar. Rir. E sentir.

E ao mesmo tempo estou calmo. Sem pressa, viAjo, apaixono me e riu me. só me falta sentir. Vida.

sábado, 19 de abril de 2008

A minha noção de realidade


Todos nós temos o dever

de ouvir e escolher

como queremos viver

a forma como lidamos com cada situação

é feita em redor daquilo que nos dão

mas não.


Não devia ser assim

devíamos dar porque sim

sem questionar no principio ou no fim

darmos porque queremos e não para servimos.

Mas todos os dias desejo algo maior do que temos

e espero.

Por vezes desespero e relembro Lutero

valerá a pena a vida que levamos e quero

acreditar que tudo o fazemos no final se resume

ao sentirmos aquele arrepio que nos leva ao cume

aquela respiração repentina onde quer que isso me eleve.


São esses os momentos de esperança em algo maior

viver por ti segundos e morrer, para voltar a nascer

sem nunca querer a lembrança daquela outra dor.

Mas enquanto o coração bate mais rápido no ser

faz com que aquele segundo valha aquele bater.


Aquele bater que faz por ele viver

aquele bater que faz querer sem ter.


A minha noção de realidade

perdendo me por completo da tua e sonhando,

vivendo na minha.